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«Fundemos uma Aliança Anti-globalista». O apelo do Arcebispo Viganò

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Renovatio 21 publica o apelo de Sua Eminência o Arcebispo Carlo Maria Viganò

 

 

Há dois anos que assistimos a um golpe de estado mundial, no qual uma elite financeira e ideológica conseguiu apoderar-se de parte dos governos nacionais, das instituições públicas e privadas, dos meios de comunicação social, da magistratura, dos políticos e dos líderes religiosos. Todos, sem distinção, são subservientes a estes novos senhores que asseguram poder, dinheiro e afirmação social aos seus cúmplices. Os direitos fundamentais, que até ontem nos eram apresentados como invioláveis, são espezinhados em nome de uma emergência: hoje sanitária, amanhã ecológica, depois de amanhã informática. 

 

Este golpe de estado global priva os cidadãos de qualquer possibilidade de defesa, uma vez que os poderes legislativo, executivo e judicial são cúmplices da violação da lei, da justiça e do fim para o qual existem. E é um golpe global porque este atentado criminoso contra cidadãos estende-se a todo o Mundo, salvo raríssimas excepções. É uma guerra mundial, onde os inimigos somos todos nós, mesmo aqueles que, involuntariamente, ainda não compreenderam o alcance do que está a acontecer. É uma guerra travada não com armas, mas com normas ilegítimas, miseráveis políticas económicas e intoleráveis limitações dos direitos naturais.

 

Organismos supranacionais, financiados, na sua maioria, pelos conspiradores deste golpe de estado, interferem no governo das Nações individuais e na vida, nas relações e na saúde de biliões de pessoas. Fazem-no por dinheiro, certamente, mas ainda mais para centralizar o poder, de modo a estabelecer uma ditadura planetária. É o Great Reset do World Economic Forum, a Agenda 2030 da ONU. É o plano da Nova Ordem Mundial, em que uma República Universal torne todos escravos e uma Religião da Humanidade apague a Fé em Cristo.

 

Diante deste golpe de estado global, ocorre constituir uma Aliança Antiglobalista internacional, que recolha todos aqueles que se querem opor à ditadura, que não têm qualquer intenção de se tornarem escravos de um poder sem rosto, que não estão dispostos a apagar a própria identidade, a própria individualidade, a própria fé religiosa. Se o ataque é global, global também deve ser a defesa.

 

Apelo aos governantes, aos líderes políticos e religiosos, aos intelectuais e a todos os homens de boa vontade, convidando-os a reunir-se numa Aliança que lance um manifesto antiglobalista, refutando, ponto por ponto, os erros e os desvios da distopia da Nova Ordem Mundial e propondo alternativas concretas para um programa político inspirado no bem comum, nos princípios morais do Cristianismo, nos valores da tradição, na protecção da vida e da família natural, na protecção dos negócios e do trabalho, na promoção da educação e da investigação, no respeito pela Criação.

 

Esta Aliança Antiglobalista deverá reunir as Nações que desejem escapar ao jugo infernal da tirania e afirmar a sua soberania, celebrando acordos de recíproca colaboração com os Estados e os povos que partilham os seus princípios e o desejo veemente de liberdade, justiça e bem. Deverá denunciar os crimes da elite, apontar os responsáveis por eles, denunciá-los aos tribunais internacionais, limitar o seu excessivo poder e as nefastas influências, deverá impedir a acção dos lobbys, em primeiro lugar, combatendo a corrupção dos funcionários do Estado e dos trabalhadores da informação, e congelando os capitais utilizados para desestabilizar a ordem social.

 

Nas Nações onde os governos são subservientes à elite, poderão constituir-se movimentos populares de resistência e comités de libertação nacional, com representantes de todos os sectores da sociedade que proponham uma reforma radical da política, inspirada pelo bem comum e firmemente oposta ao projecto neomalthusiano da agenda globalista.

 

Convido todos aqueles que querem defender a sociedade cristã tradicional a reunirem-se num fórum internacional, a realizar o mais rapidamente possível, no qual representantes de várias Nações se reúnam para apresentar uma proposta séria, concreta e clara. O meu apelo é dirigido aos líderes políticos e governantes que se interessam pelo bem dos seus cidadãos, deixando para trás os velhos esquemas partidários e as lógicas impostas por um sistema escravizado ao poder e ao dinheiro. Apelo às Nações cristãs, de Oriente a Ocidente, convidando os Chefes de Estado e as forças sãs das instituições, da economia, do trabalho, da universidade, da saúde e da informação a aderirem a um projecto comum, desmanchando os esquemas e pondo de lado as hostilidades queridas pelos inimigos da humanidade em nome do divide et impera. Não aceitemos as regras do adversário, porque são feitas, precisamente, para nos impedir de reagir e de organizar uma oposição eficaz e incisiva.   

 

Chamo as Nações e os cidadãos a aliar-se sob a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, o único Rei e Salvador, Príncipe da Paz. In hoc signo vinces.

 

Fundemos esta Aliança Antiglobalista, dêmos-lhe um programa simples e claro, e libertemos a humanidade de um regime totalitário que reúne em si os horrores das piores ditaduras de todos os tempos. Se demorarmos mais, se não compreendermos o perigo que nos ameaça, se não reagirmos, organizando-nos numa resistência firme e corajosa, este regime infernal, que está a ser estabelecido em todo o lado, não pode ser travado.

 

E que Deus Omnipotente nos assista e nos proteja.

 

 

Carlo Maria Viganò

Arcebispo, antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América

 

 

 

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Green pass preparado antes do COVID. Para a tirania da UE

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O green pass foi preparado antes do COVID, da pandemia e do próprio green pass.

 

Isso mesmo, o green pass existia antes mesmo do próprio green pass. O green pass precede Wuhan e o mundo pandêmico.

 

Os jornalistas do portal La Verità Claudio Antonelli e Giulia Aranguena publicaram um outro artigo de suma importância no qual sondam a questão do app verde, de seus bancos de dados e de seus empregos futuros – e do oceano de política e burocracia europeia (sempre opaca, lamacenta) que presenciaram a sua criação. E muito antes que as pessoas começassem a tossir lá na China.

 

O green pass, escrevem os dois repórteres, está consentindo «pela primeira vez na história italiana e europeia a formação de um banco de dados de usuários (transformação dos cidadãos em perfis digitais) ao longo de um caminho baseado nos algoritmos da blockchain

Não se trata de uma análise ou hipótese: são fatos. O circuito eletrônico do green pass foi criado antes do COVID-19 para os mesmos fins para os quais serão empregados agora – fins que, nos dizem, foram suscitados pela pandemia.

 

Em vez disso, a impressão é que a digitalização da cidadania europeia – isto é, a instalação de uma plataforma de controle do indivíduo acompanhada da desmaterialização de muitas atividades – tenha sido pré-ordenada. 

 

O green pass, escrevem os dois repórteres, está consentindo «pela primeira vez na história italiana e europeia a formação de um banco de dados de usuários (transformação dos cidadãos em perfis digitais) ao longo de um caminho baseado nos algoritmos da blockchain.

 

Conforme destacamos muitas vezes, o primeiro grande passo que será possibilitado pelo processo de digitalização do qual o green pass é o kickstarter é o assim-chamado «euro digital». Uma moeda inteiramente eletrônica gerida nas carteiras eletrônicas dos cidadãos presentes no banco de dados do superestado Europeu.

Essa tecnologia, de fato, «é a mesma tecnologia que servirá para introduzir o euro digital ou desenvolver ferramentas de pagamento e rastreabilidade online.

 

Essa tecnologia, de fato, «é a mesma tecnologia que servirá para introduzir o euro digital ou desenvolver ferramentas de pagamento e rastreabilidade online. De fato, enquanto tal, o green pass, é o fator decisivo para a aceleração da digitalização intensiva deliberada pelas políticas de Bruxelas já antes da declaração do estado de pandemia pela OMS em março de 2020».

 

A tática teria emergido de um documento estratégico intitulado Modelar o futuro digital da Europa, de 19 de fevereiro de 2020. O texto se vale de um estudo publicado posteriormente no segundo semestre de 2020, Shaping the digital transformation, redigido pela McKinsey Global Institute, uma entidade fundada em 1900 que estuda as tendências econômicas globais e que é uma evidente emanação da McKinsey, multinacional do ramo de consultoria envolvida em vários escândalos, desde Enron à perseguição de dissidentes sauditas, etc. Está presente nas fileiras da McKinsey o atual secretário de transportes dos EUA, o bizarro Pete Buttigieg, um homossexual alugador de úteros filho do tradutor da obra de Gramsci nos EUA: após sua passagem por essa grande empresa, tornou-se oficial de inteligência da marinha dos EUA, tendo retornado ao Afeganistão, onde, na realidade, já tinha trabalhado para o colosso bilionário.

 

Tornemos ao documento. Em Modelar o futuro digital da Europa – reforçamos, publicado antes do morcego chinês – «podem ser encontradas as raízes do atual green pass».

 

«A EU, já em fevereiro de 2020, previa o recurso a uma verdadeira “identidade eletrônica (eID) pública e universalmente aceita”, embasada em um robusto sistema de infraestrutura, desenvolvida de acordo com um claro princípio de interoperabilidade dos padrões informáticos de dados e reforçada pela extensão, externamente aos serviços financeiros, daqueles presídios típicos do mundo financeiro da assim-chamada Psd2 (ou Diretiva sobre os Pagamentos), como os fatores de autenticação».

 

«A EU, já em fevereiro de 2020, previa o recurso a uma verdadeira “identidade eletrônica (eID) pública e universalmente aceita”, embasada em um robusto sistema de infraestrutura, desenvolvida de acordo com um claro princípio de interoperabilidade dos padrões informáticos de dados».

«Ela representa o pilar de uma inteira série de ações tidas como necessárias para guiar a “transição em direção a um planeta saudável e um novo mundo digital”», escreve La Verità. Em suma, trata-se de um plano para informatizar o mundo a partir de um sistema de identidade eletrônica que seja «pública e universalmente aceita» e, destacamos, sobretudo «universalmente aceita».

No documento declara-se que é necessário melhorar as «competências digitais dos cidadãos», trabalhar por um «aumento da conectividade» e até mesmo garantir «a soberania tecnológica europeia através de uma expressa política de controle dos dados», o quê, dito por quem tem relações com o Google, o Facebook, a Amazon, a Apple e até mesmo com a Huawei e seus sócios, suscita risos – particularmente se pensarmos à verde Irlanda (verde como certos dólares americanos).

 

De qualquer forma, no documento programático EU diz-se também que serão tomadas medidas para:

 

1) «Melhorar o processo de tomada de decisões público e privado» – aqui o significado nos escapa. Significa que a EU quer estabelecer como as entidades privadas devem estabelecer decisões? Talvez com a tecnologia? E o processo de deliberação público, deve ser estabelecido em consonância com a EU? Estariam referindo-se às eleições…?

O cidadão vira um usuário. O governo vira uma «plataforma». Essa é a digitalização final. A democracia vira um computador. As leis, a constituição, serão substituídas por um «código». E, se tiverem visto o filme Elysium, já podem imaginar a consequência: quem controla o sistema operacional controla o país, controla a realidade.

 

2) «Evitar «tentativas de manipulação do espaço da informação» – estariam, por acaso, falando de purgação das fake news? Hackers russos? Troll farm na Macedônia? Renovatio 21 banida definitivamente?

 

3)«Apoiar o green deal monitorando onde e quando tem maior demanda de energia elétrica» – aqui inicia o discurso do green deal europeu, sobre o qual temos publicado muitos artigos. Para resumir, basta que vocês vejam os rios de estudos produzidos e os encontros políticos de altíssimo nível para dar suporte à criatura artificial Greta Thunberg: indo um pouco mais além, garantimos a vocês que o próximo lockdown, agora que já demos o nosso consentimento àquele pandêmico, será um lockdown «climático».

 

4)«Modernizar a estrutura econômica e financiária, e criar um «espaço europeu de dados sanitários» – isto é, parece que entendemos, criar um grande banco de dados com informações biológicas e ao mesmo tempo agilizar o desenvolvimento da infraestrutura das transações, tornando assim ainda mais fluído, veloz e transparente o circuito do dinheiro.

 

«O X da questão está na potencialidade impetuosa da transformação da identidade pessoal em identidade pública digital».

Mas não é só isso. A EU se põe vários planos de ação, como por exemplo «para a democracia europeia voltada a melhorar a resiliência dos nossos sistemas democráticos», sustentar o pluralismo da mídia, afrontar as ameaças de intervenções externas nas eleições europeias aplicando o voto eletrônico».

 

Resiliência dos sistemas democráticos, voto eletrônico, pluralismo da mídia… sim, Bruxelas quer nos dizer como devemos votar. Querem meter a mão, eletronicamente, na democracia.

 

E assim a Comissão preparou o plano digital para a próxima década – chamado «2030 digital compass» – o qual reformará as normas sobre a identificação eletrônica, que, no contexto europeu, chama-se eIDAS.

 

A eIDAS «será a espinha dorsal de uma série de ações de maciça informatização que serão feitas em todos os níveis, particularmente nos serviços públicos, os quais serão todos digitalizados».

 

Está sendo introduzida, portanto, «a redução dos cidadãos a meros utilizadores de serviços públicos ou privados prestados com os mesmos mecanismos do Web service e em plataformas nacionais sob estreito controle público, sobre os quais, com base no modelo do Government as platform

Mas não acaba aí: «a relação com o green pass é evidente também nas características do novo sistema de identidade eletrônica eIDAS, focado na criação de carteiras europeias de identidade digital, isto é, de certificações de credenciais pessoais que deverão ser mantidas em wallets dotados de forte criptografia sob forma de QR Code – capazes de conectar as identidades digitais nacionais dos usuários à prova de outros atributos pessoais (como por exemplo a conta bancária, os títulos de estudos, etc.), o quê consentirá a perfeita sobreponibilidade com a substância informática e jurídica do green pass».

 

Antonelli e Aranguena indicam que um dos problemas (provavelmente o motivo pelo qual ainda ninguém tenha percebido nada) é a voluntária obstinação em manter tênue o nível da discussão pública. «O X da questão está na potencialidade impetuosa da transformação da identidade pessoal em identidade pública digital».

 

Está sendo introduzida, portanto, «a redução dos cidadãos a meros utilizadores de serviços públicos ou privados prestados com os mesmos mecanismos do Web service e em plataformas nacionais sob estreito controle público, sobre os quais, com base no modelo do Government as platform, em setores considerados estratégicos, poderá incidir um compartilhamento de dados sanitários e a respectiva identificação pessoal também para outras formas de “emprego” (transporte, serviços financeiros, educação, etc.)».

 

Graças a vírus, vacinas e quarentenas, a plataforma da grande tirania eletrônica já está rodando nos nossos smartphones.

O cidadão vira um usuário (e por isso já faz tempo que repetimos que o Facebook é um presságio da sociedade distópica que nos aguarda).

 

O governo vira uma «plataforma». Essa é a digitalização final. A democracia vira um computador. As leis, a constituição, serão substituídas por um «código». E, se tiverem visto o filme Elysium, já podem imaginar a consequência: quem controla o sistema operacional controla o país, controla a realidade.

 

O pesadelo digital do green pass não diz respeito ao COVID; ele é na realidade um plano bastante precedente a ele. A pandemia somente acelerou o seu andamento: foi a coisa certa no momento certo para o Grande Reset da democracia, a instalação da tecnocracia totalitária mais assustadora já vista.

 

Graças a vírus, vacinas e quarentenas, a plataforma da grande tirania eletrônica já está rodando nos nossos smartphones.

 

 

Roberto Dal Bosco

 

 

Tradução de Flavio Moraes Cassin

 

Articolo originale pubblicato in italiano

 

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Os homossexuais contra Duna

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O filme campeão de bilheteria nesta desgraçada estação para as produções europeias, que foram golpeadas pela pandemia, é o colossal filme americano Duna. Estranhamente, ele estreou antes aqui na Itália do que nos EUA – talvez porque a nossa versão já estivesse pronta para o festival de Veneza, talvez porque intencionassem entender o efeito que o filme poderia ter. Ele estreará nas salas de cinema americanas praticamente junto ao seu lançamento no streaming da HBO.

 

Como sabido, Duna é a abreviação cinematográfica de um potente ciclo de romances de ficção científica escrito nos anos sessenta por Frank Herbert. A história, que fala de messias, impérios galácticos e de justiça para os povos oprimidos, tem conteúdos que o mundo hoje reconhece como «atuais», tais como um suposto ambientalismo de fundo, a justificativa da independência do terceiro mundo (o qual, todavia, precisa de um branco que o guie, no mais clássico estilo «white saviour complex») e a exploração das reservas energéticas. Na realidade, Herbert talvez tenha inspirado-se à questão árabe de seu tempo, tanto que alguns resíduos de seu vocabulário – a palavra jihad usada com uma acepção muito positiva – hoje soam bastante estranhos.

 

Esta versão mais recente do diretor Villeneuve, com o seu time de estrelas de Hollywood do momento, não é a primeira vez que Duna é levado às telas dos cinemas.

 

Nos anos setenta, o genial diretor-mago Alejandro Jodorowski já tinha tentado este empreendimento, tendo juntando um elenco que ia de Salvador Dalí a Orson Welles a Mick Jagger, com Pink Floyd na trilha sonora e os melhores artistas (Moebius, Giger) na cenografia.

 

O filme nunca foi realizado, apesar do investimento obsceno de alguns milhões de dólares – daquela época – para a pré-produção (Dalí, para virar o ator mais bem pago do mundo, queria 100 mil dólares por hora, contentaram-no…), todavia é reconhecido que o projeto tenha tido uma influência imane sobre o cinema, tendo lançado as bases para a produção de pedras miliares, como Guerra nas Estrelas e Alien, o Oitavo Passageiro.

 

Entretanto, se relevarmos as não inesquecíveis séries de TV produzidas no início dos anos 2000, o verdadeiro grande precedente é constituído pelo Duna de David Lynch, produzido por Dino De Laurentiis em 1984.

 

Trata-se de um filme ao qual quem cresceu nos anos 80 dificilmente não assistiu: foi um dos maiores colossos, em parte italiano, daquela época. Foi um fracasso e Lynch ainda hoje tem dificuldades de falar sobre o assunto em entrevistas. Os críticos vomitaram. O público desertou.

 

Este que vos escreve, em vez disso, considera-o uma obra prima. Tendo-o reassistido nestes últimos dias, percebi que a minha avaliação tem um motivo que vai bem além das saudades daqueles dias em que, seis anos atrás, fui levado a um cinema montanhês para assistir-lhe.

 

O filme é bizarríssimo. Permite escutar, continuamente, os pensamentos dos personagens, que em muitos casos são, de verdade, demasiado bidimensionais. Mas tudo se resume em imagens que conseguem ser obscuras e épicas.

 

Sobretudo, eu achava 40 anos atrás e continuo achando agora, tem uma coisa verdadeiramente bem sucedida no filme: os vilões.

 

A Casa Harkonnen, com o seu planeta noturno, as sujas arquiteturas gótico-industriais e os eternos cabelos ruivos, é praticamente perfeita. Tem um cruel barão Vladimir Harkonnen, o gordão voador, desfigurado por furúnculos e um sadismo sem limites. Tem Glossu Rabban, de corporatura endomórfica, sorriso diabólico e carnívoro ao ponto de beber até mesmo bebidas feitas de seres vivos espremidos. Tem Nefud, o incerto chefe das guardas do barão. Tem Feyd Rautha, atlético e calculista, não menos aterrador que o tio Vladimir.

 

Vem à tona agora que, nos últimos anos, por causa dos Harkonnen, a comunidade LGBT, perdão, dos homossexuais (no senso masculino), voltou-se contra esse filme. Note-se que a sigla LGBT é somente uma máscara estratégica para encobrir a agenda do grupo homo-masculino: as lésbicas, antes de terem sido instigadas, faziam as atividades delas, os transsexuais não têm peso verdadeiro e os bissexuais ninguém nunca os viu.

«O filme mais obscenamente homofóbico que eu já tenha visto».

 

Portanto: os homos declaram guerra a Duna.

 

Os motivos são exatamente as cenas e os personagens que impressionavam como exitosos por causa de sua vilania.

 

O historiador do cinema Robin Wood, no livro Hollywood from Vietnam to Reagan, define Duna como «o filme mais obscenamente homofóbico que eu já tenha visto». A referência é às cenas nas quais aparece o barão Harkonnen, particularmente uma das primeiras.

 

 

O barão Harkonnen assassina gratuitamente um personagem efebo que parece atiçar o seu desejo. Assim como, na cena em que é retratado um incesto homossexual, parece fixar o olhar com voluptuosidade no corpo seminu do sobrinho Feyd Rautha (interpretado por Sting, em um momento de índice de gordura corporal inferior a 10%), que sai de uma ducha gasosa.

 

 

Jogamos nesse caldeirão também a horrível misoginia, na cena em que se goza, dopo tê-lo premeditado por bastante tempo, de cuspir no rosto da esposa de seu rival enquanto esta está amarrada no chão (enquanto ele, por sua vez, se debate).

 

O estudioso acusa o filme de Lynch de «ter conseguido associar em uma única cena a homossexualidade à grosseria física, depravação moral, violência e doença».

 

Wood não está sozinho. O escritor gay Dennis Altman escreveu que o filme pode ser pego com uma ilustração de como no início dos anos 80 «os referimentos à AIDS começaram a penetrar na cultura popular… Terá sido mero acaso que no filme Duna o homossexual malvado tivesse pragas supurantes no rosto?»

O estudioso acusa o filme de Lynch de «ter conseguido associar em uma única cena a homossexualidade à grosseria física, depravação moral, violência e doença».

 

Sangue e furúnculos. Doença. Naquela época a AIDS era vista assim; muito além do que camisinha, lacinho vermelho, coquetéis antivirais pagos pelos contribuintes, solidariedade, etc.

 

Navegando pela internet, é possível ver que as manifestações sobre o tema são muitas: Duna homofóbico.

 

Um usuário do Reddit se pergunta se é verdade. Diz ter lido o livro, no qual, segundo ele, o barão poderia ser considerado, mais do que um homossexual, um pedófilo… Mas essa é uma discussão que, acreditamos, ninguém queira começar.

 

Outros usuários, em vez disso, encontraram uma citação no livro de Herbert O imperador-deus de Duna que parece explicar as escolhas criativas de Lynch:

 

«O homossexual, latente ou não, que mantém essa condição por razões que poder-se-iam definir puramente psicológicas, tende a deixar-se levar a comportamentos que causam dor, buscando-a para si e infligindo-a aos outros. Lord Leto diz que isso remonta ao comportamento de provação dos brancos pré-históricos».

«Os referimentos à AIDS começaram a penetrar na cultura popular… Terá sido mero acaso que no filme Duna o homossexual malvado tivesse pragas supurantes no rosto?».

 

Um outro responde que no mesmo romance, nas primeiras páginas, tinha um elogio aos homossexuais como bons soldados.

 

Em outros fóruns observam-se arranca-rabos.

 

«Na realidade Herbert ERA homofóbico. Na vida real praticamente renegou seu filho gay e no texto O imperador-deus ao qual se faz referimento ele cita especificamente a homossexualidade masculina como um motivo para NÃO usar (sic) tropas masculinas, já que, apesar de serem grandes guerreiros, os homossexuais fazem parte do deslocamento do sexo para a dor: se abandonam a comportamentos que causam dor».

 

Falando de uma passagem particular da história, o usuário escreve que «o personagem principal levanta a hipótese de que algumas tropas suicidas devam ser homossexuais como “Quando os humanos, por um motivo qualquer, viram terminais em relação à sobrevivência da espécie deles, é relativamente fácil empurrá-los em direção ao curto passo seguinte de querer morrer”».

 

É sabido que o viciozinho do barão Harkonnen, na sucessiva transposição a uma série de TV, é muito atenuado. Talvez imperceptível. Na prática, a saga continua no coração dos fãs e dos produtores cinematográficos, mas certas posições do criador do ciclo de romances, como posso dizer, podem ser desbotadas…

«Na realidade Herbert ERA homofóbico. Na vida real praticamente renegou seu filho gay»

 

O quê está em curso não é somente uma deshomofobização, mas a remoção de qualquer conteúdo mesmo que vagamente crítico à esfera LGBT: pensem aos ataques ao filme O Silêncio dos Inocentes (originalmente O Silêncio dos Cordeiros: os distribuidores tinham medo ferir a imagem da família Agnelli, ‘Cordeiros’, fundadora de FIAT) por causa do fato que o assassino tinha evidentes pulsões transexuais.

 

Está em andamento uma verdadeira homossexualização da cultura audiovisual, a começar pelos filmes para os jovens. Alguns meses atrás veio a revelação de que um dos personagens mais populares do universo Marvel (comprado e bombado com toda energia pela Disney), Loki, é bissexual. É interessante que tenham a necessidade de anunciá-lo apertis verbis ao seu público menor de idade.

 

Portanto, perguntamo-nos: quantos personagens gays teremos no novo filme Duna em cartaz? Nenhum? Ou o quadro ter-se-ia invertido e alguém do time de heróis da Casa Atreides, Deus tenha a alma de Herbert, teria saído do armário?

 

Timothée Chamalet, o protagonista, é o rapazinho que ficou famoso por ter interpretado o amante menor de idade de um professor americano que vai à Itália no filme Me Chame pelo Seu Nome. No Twitter, após a sua apresentação no Festival de Turim, o ator James Woods escreveu sobre a diferença de idade entre os amantes levantando a hashtag NAMBLA, a sigla da histórica organização defensora da pedofilia. 

 

A verdade é que não temos como sabê-lo. Porque, sem o green pass, não entraremos no cinema.

 

Ao contrário daqueles sortudos que, vacinados e com os seus certificados em mãos, poderão ir a uma sala semivazia curtir as aventuras dos Fremen, um povo objeto das barbaridades de um poder que o submete através da tecnologia e da crueldade de seus próprios barões.

 

Quem sabe a algum sortudo, ao abaixar a máscara para petiscar uma pipoca, esta história relembrará alguma coisa.

 

 

 

Tradução de Flavio Moraes Cassin

 

Articolo originale pubblicato in italiano

 

 

Imagem de LSGC via Devianart publicada sob licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported (CC BY-NC 3.0)

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Quem vai pagar pelo pesadelo chinês? Uma leitora nos conta um sonho

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Da

 

 

Este site busca, entre outras coisas, fazer a crônica do século XXI.

 

A história do nosso tempo não é constituída somente de acontecimentos visíveis. O tecido da realidade é feito também de sonhos – e de pesadelos. Também deles, acreditamos, é necessário fazer a crônica. Neles, como sabemos, podem existir significados enormes, pode estar todo o significado do nosso tempo.

 

Por isso a Renovatio 21 nunca se absteve de publicar sonhos, particularmente aqueles do seu fundador.

 

Ora, intendemos falar sobre o sonho de uma de nossas leitoras, a qual, ontem, quis contar-no-lo. 

 

Chama-se B. e deseja permanecer em anonimato porque a sua visão sobre o quê está acontecendo poderia criar-lhe ulteriores problemas, os quais queremos evitar.

 

«Eu estava na China. Era eu, isto é, era uma outra pessoa: era uma estudante chinesa. Mas era eu. Em suma, era um sonho…»

 

B. tem vivido em Milão pelos últimos 20 anos. É formada. Ama viajar. Ama estudar. Ama tocar o seu instrumento musical. Ama dançar. Ama estar em companhia. Ama a vida.

 

Todavia, neste momento, está tomada de preocupação. Não tem nenhuma intenção de se vacinar, pelos motivos que vocês já podem imaginar.

 

Todos aos seu entorno querem empurrá-la à seringa. Praticamente todos os seus amigos já vacinaram-se. «Estou sozinha, estou circundada».

 

Até mesmo por parte de sua família houve episódios de incompreensão, os quais estão, entretanto, resolvendo-se. No trabalho, que por causa do lockdown diminuiu muito, recebeu um ultimato: ou se vacina ou não precisa mais voltar. De alguma maneira, nos diz, está procurando resolver isso também.

 

A sua vida mudou com a pandemia. Vive sozinha e, como todos sob o lockdown, não viu ninguém por semanas.

«Depois, em um certo momento, percebi que alguém estava escutando a nossa conversa. Percebi o perigo disso, mesmo se, na realidade, eu não estavisse dizendo nada de perigoso».

 

Nos primeiros dias de confinamento em 2020, quando o povo fugia da Estação de Trens Central de Milão e nas prisões observavam-se rebeliões banhadas a fogo e sangue, B. teve medo. Noticiamos esse fato: a Itália estava à beira do colapso e a criminalidade estava aproveitando disso. Logo após, incidentalmente, soltaram algumas centenas de chefes da máfia e a situação, que parecia tensa particularmente em Palermo e Nápoles, aparentemente acalmou-se.

 

(Por ter permitido que todo esse terror tenha propagado-se dentro de tantas mentes inocentes, alguém, em um certo ponto, terá de pagar – é possível imaginar um tribunal de Nuremberg da psique?)

 

B. segue a Renovatio 21 particularmente pelos artigos relacionados aos temas da vacinação e das políticas a esta anexas. Acreditamos que nem a geopolítica e nem a bioética interessem-lhe, portanto, é verossímil que ela nunca tenha prestado muita atenção às nossas (muitas) matérias sobre a China.

 

E mesmo assim o sonho começa ali.

 

«Eu estava na China. Era eu, ou melhor, eu era uma outra pessoa: era uma estudante chinesa. Mas era eu. Em suma, era um sonho…»

 

«Eu estava no aeroporto; estava junto a um grupo de pessoas; não estava fazendo nada específico; estava falando; estava batendo papo. Sobre o quê? Sobre nada em particular».

 

«Um homem chinês aproxima-se e nos interrompe. Diz-nos que não se podem dizer as coisas que estávamos dizendo. Eu digo-lhe que na nossa conversa não há nada de errado e que, portanto, somos livres para fazê-lo».

«Depois, em um certo momento, percebi que alguém estava escutando a nossa conversa. Percebi o perigo disso, mesmo se, na realidade, eu não estavisse dizendo nada de perigoso».

 

«Um homem chinês aproxima-se e nos interrompe. Diz-nos que não se podem dizer as coisas que estávamos dizendo. Eu digo-lhe que na nossa conversa não há nada de errado e que, portanto, somos livres para fazê-lo. Falo com ele em inglês».

 

«Ele parece não se importar nem um pouco com o meu comentário; está sério, seríssimo; então saca o seu distintivo; é da polícia chinesa, ou de uma corporação de segurança mais obscura e perigosa. Sinto-me tomada pelo medo».

 

«O homem me pede para segui-lo. Percebo que ele quer me levar ao quartel general, talvez para me interrogar. Ele não parece intencionado a usar da força, mas está determinado. Percebo que não tenho nenhuma alternativa e, portanto, aceito segui-lo, separando-me assim do grupo. Estou com medo, mas não creio que algo de ruim possa acontecer a mim. Com calma posso convencer a todos que tudo não passa de um mal-entendido, em decorrência do quê eles deverão me liberar».

 

«O homem me leva a um carro; é um conversível. No sonho, isso faz perfeito sentido, assim como o fato de que ele dirija em direção a uma zona interna do aeroporto, parecida com uma pista de pouso. No seu rosto entrevejo emergir um sutilíssimo sorriso. Não sei como explicá-lo».

 

«Quando o carro estaciona, vejo que chegamos a um espaço onde nos espera um helicóptero. A bordo tem uma mulher. Subo, sem criar problemas. Dizem-me que a viagem não é curta, mas que também não é muito longa. Quando decolamos, me dou conta que o chão do helicóptero é transparente. Embaixo de mim vejo passarem os campos chineses e um rio. Sobretudo o rio: reparo na sua grandeza, na sua profundidade. Eu deveria gostar dessa visão, mas na verdade sinto cada vez mais medo».

 

«A dupla de chineses está cada vez mais sorridente, mais relaxada. Como se já tivessem obtido alguma coisa importante. Eu acho que entendo algo daquilo que eles dizem entre si, cumprimentando-se – no mais, eu sou uma estudante chinesa. Portanto, estico as orelhas e capto as palavras que eles trocam entre uma risadinha e outra. Estou tomada pelo medo».

«O homem me pede para segui-lo. Percebo que ele quer me levar ao quartel general, talvez para me interrogar. Ele não parece intencionado a usar da força, mas está determinado. Percebo que não tenho nenhuma alternativa e, portanto, aceito segui-lo, separando-me assim do grupo.

 

«Repentinamente, a minha ficha cai. Aqueles senhores não são policiais. Ou melhor, talvez o sejam, mas de um tipo obscuro que nunca tinha visto, o qual, por causa da minha ingenuidade, eu desconheço. Mas isso não importa; o quê conta é somente o fato de que eu tenha feito o que eles queriam: a atividade deles é pegar os órgãos das pessoas para comercializá-los».

 

«Eles são traficantes de órgãos, são parte de um sistema imenso. Compreendo que sou somente mais uma de uma quantidade interminável de vítimas. Garotas, principalmente. Muitíssimas. Está claro que roubarão também os meus órgãos. O coração, os pulmões, o fígado, os olhos… estou encurralada. Me levam ao lugar onde serei esquartejada».

 

Nesse momento B. acordou. Ainda bem.

 

Ora, trata-se somente de um sonho. B. e nós, e vocês e quem quer que leia esta crônica onírica poderão atribuir-lhe o significado que desejarem, ou dar de ombros e fazer uma piadinha.

 

Para nós, todavia, o significado cósmico desse sonho parece incontroverso: como sabemos bem, o mundo inteiro está virando um Chinão. Um país sob controle total, onde a repressão te golpeia por aquilo que dizes, e onde a predação de órgãos é uma realidade institucional gigante.

«Repentinamente, a minha ficha cai. Aqueles senhores não são policiais. Ou melhor, talvez o sejam, mas de um tipo obscuro que nunca tinha visto, o qual, por causa da minha ingenuidade, eu desconheço. Mas isso não importa; o quê conta é somente o fato de que eu tenha feito o que eles queriam: a atividade deles é pegar os órgãos das pessoas para comercializá-los»

 

Um país sob controle total, onde podes ser aprisionado por causa de tuas ideias. E onde, da prisão, podes ser levado, mediante a aplicação da burocracia penal certa, à mesa de cirurgia para que os teus órgãos sejam extraídos e traficados.

 

É o país do psico-policiamento digital. O país da repressão absoluta, do controle do pensamento até mesmo dentro dos cérebros das crianças. O país que inventou o vírus e a sua respectiva política social: lockdown, tracking, vigilância eletrônica sem fim.

 

Quais são as diferenças entre isso e o quê estão virando o Brasil, a Itália, a Europa, o Ocidente? A China, para muitos de nossos políticos, é um modelo, e as suas tecnologias de vigilância são importadas a todo vapor: câmeras, algoritmos, computer vision, reconhecimento facial, etc.

 

Talvez estejamos dando significados políticos demais ao sonho de B., a qual, no fundo, não parece muito interessada à faceta tecno-geopolítica das nossas matérias. Disse-nos também que quando esteve na China anos atrás sentiu «a mesma energia que estou sentindo aqui na Itália agora… idêntica… sinto-a crescer na minha cidade, no meu país».

 

Talvez, mais simplesmente, trate-se de um pesadelo de uma alma sacudida pelo quê está acontecendo. Green pass, vacinação obrigatória, efeitos colaterais, polarização e divisão da sociedade. Um mundo onde não se sente mais livre para falar, onde teme exprimir qualquer pensamento, onde a possibilidade de ser afastada de suas pessoas queridas é mais do que concreta.

 

O significado cósmico desse sonho parece incontroverso: como sabemos bem, o mundo inteiro está virando um Chinão. Um país sob controle total, onde a repressão te golpeia por aquilo que dizes, e onde a predação de órgãos é uma realidade institucional gigante.

Um pequeno pesadelo que emerge da inquietude de uma garota que está sintonizada com o desmoronamento profundo que está em curso, com o terremoto invisível que está devastando a humanidade.

 

Uma pessoa que tem medo.

 

E agora tornamos a nos perguntar: quem vai pagar por ter assustado todas essas pessoas?

 

Quem vai pagar por ter devastado o coração e a psique de tantos inocentes?

 

Quem vai pagar pelo pesadelo chinês?

 

Tradução de Flavio Moraes Cassin

 

Articolo originale pubblicato in italiano

 

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